Apesar de atuar como professora, tanto na universidade como em instituições de ensino, desde 1994, Iole de Freitas não se sente confortável com o termo pedagogia e docência. A prática de ensino da artista parte de uma ótica não hierarquizada, na qual seu trabalho é primordialmente guiar um grupo de artistas de idades, etnias e gêneros variados, em encontros onde trocam reflexões, interpretações e percepções visuais. Neste contínuo compartilhamento de vivências e saberes, a artista se vê formando, mas também sendo formada por estes alunos. Seu pensamento sincrético e abrangente também permeou sua escolha para o Base. Para estar ao seu lado, convidou o grupo Escolas Vivas, movimento de apoio ao fortalecimento e à transmissão de saberes tradicionais em cinco territórios indígenas: Guarani, Maxakali, Huni Kuin, Baniwa e Tukano-Desana-Tuyuka. A mediação da conversa entre Iole de Freitas, Cristine Takua e Carlos Papá será feita por Galciani Neves, assim como o texto sobre o projeto.
Mônica Nador traz para o Base o JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), iniciativa criada por ela em 2004, gerida e pensada coletivamente, a qual atua como um espaço cultural na zona sul de São Paulo. Com foco em aproximar a estética da política a partir de práticas integradas ao cotidiano, o JAMAC oferece à comunidade local, de forma gratuita e sem fins lucrativos, oficinas de estêncil e estamparia, desenvolvimento de produções audiovisuais e sessões de cinema, grupos terapêuticos e ateliês-clínicas com mediação de psicanalistas, além de ações de cidadania com aulas e debates sobre memória cultural periférica e justiça ambiental. A maneira não convencional de pensar e ensinar arte, assim como seu desejo por transformação social, extrapola os limites entre ateliê e lugar de ensino, prática pessoal e prática docente, privado e público, individual e coletivo, sendo a participação no Base, assim como sua representação pela galeria Vermelho e suas exposições institucionais, assinada coletivamente como JAMAC.